Tenho a certeza que haverias de gostar de estar aqui agora, Mãe. Anteontem talvez tivesses tido que tomar uma pílula para a tensão e mais um comprimidinho debaixo da língua por causa do coração, mas tinhas gostado na mesma. Até porque, desta vez, a coisa fez-se toda sem necessidade da tua intervenção e só terias de te recostar na maciez de um cadeirão de velhinha e desfrutar do morno (e um tanto picante) prazer de te saberes Bisavó pela primeira vez. O que custa é o primeiro, não é? Depois a água corre. Corre como um rio, mais ou menos sinuoso. É certo que, de ano para ano, o curso deste rio muda, nem que seja ligeiramente. Calcorreando novas areias, sendo outras as pedras de que se desvia, diversas as raízes que lava e as tocas que encharca, são também novas as ruas e galerias que escava. Mas o calcorrear, desviar, lavar, encharcar e escavar já tu sabes – vais sabendo – que irá voltar a acontecer, com a mesma energia criadora, ano após ano, segundo após segundo (afinal ...
Textos avulsos. Uns, ligados (ao correr dos dias, à sucessão das memórias, às demandas quotidianas); outros, desirmanados. Não os vendo, não os troco. Estes, são dados. Porque só levamos o que damos e damos o que temos. Recebe-os, se quiseres. Fico feliz se te disserem ou lembrarem alguma coisa, se te divertirem ou encantarem, se te ajudarem a encontrar algo que te faça sentido. Os «frescos» saem à segunda-feira. Os outros, «resgatados», a qualquer dia da semana. São para ti. Maria Morais