Era uma vez um menino que nasceu gente e morreu gente. Mas, pelo meio do caminho, aconteceu-lhe um pequeno desvio. Bem, não sei se foi pequeno, mas que foi desvio, tenho a certeza, embora desconheça a razão porque estes desvios ou bifurcações ou acidentes – é como lhes quiserem chamar – ocorrem. Acredito que um caminho, para ser digno desse nome, tenha de conter encruzilhadas, pedras, buracos, e até ogres e outras criaturas matreiras à espreita atrás de uma velha árvore; caso contrário não seria um caminho que se faz andando com os nossos próprios pés, mas uma via rápida para veículos motorizados ou, pior ainda, uma auto-estrada, daquelas perfeitamente sinalizadas e cronometradas, arrogantes e fastidiosas, que nos levam sempre em linha recta até ao destino programado. Calculo que a ti, natural do planeta azul, que caminhas pela vida há mais de 20 anos, já te tenha acontecido algo semelhante ao que te venho contar – tropeção, despiste ou emboscada, não importa o nome ...
Textos avulsos. Uns, ligados (ao correr dos dias, à sucessão das memórias, às demandas quotidianas); outros, desirmanados. Não os vendo, não os troco. Estes, são dados. Porque só levamos o que damos e damos o que temos. Recebe-os, se quiseres. Fico feliz se te disserem ou lembrarem alguma coisa, se te divertirem ou encantarem, se te ajudarem a encontrar algo que te faça sentido. Os «frescos» saem à segunda-feira. Os outros, «resgatados», a qualquer dia da semana. São para ti. Maria Morais