Este será o primeiro ano em que assistirei à Festa dos Tabuleiros, em honra do Divino Espírito Santo. Acontece no início do Verão, de 4 em 4 anos, em Tomar, a cidade sede do concelho onde agora vivo e pertenço (ou tento pertencer). Flores de papel, pães e pãezinhos, caniços e rendas brancas. As moças aqui das freguesias rurais andam afogueadas, a acabar de montar os tabuleiros; na cidade caminham pelas ruas em fato-de-treino, com as suas torres de papoilas, malmequeres e pães à cabeça, ensaiando o equilíbrio, pela fresca. Desde há alguns meses que, quando vamos à casa de banho dos cafés da cidade ou ao bar das associações recreativas, sobre uma mesa encostada a um canto, encontramos invariavelmente folhas de papel crepe, espigas de trigo, alicates, tesouras e arames. E o pão (que é verdadeiro, mas ninguém comerá; só, talvez, o bicho-da-farinha) larga o seu cheirinho quente quando é espetado pelas varas de cana... Os vizinhos são obrigados a entender-se porque têm uma ...
Textos avulsos. Uns, ligados (ao correr dos dias, à sucessão das memórias, às demandas quotidianas); outros, desirmanados. Não os vendo, não os troco. Estes, são dados. Porque só levamos o que damos e damos o que temos. Recebe-os, se quiseres. Fico feliz se te disserem ou lembrarem alguma coisa, se te divertirem ou encantarem, se te ajudarem a encontrar algo que te faça sentido. Os «frescos» saem à segunda-feira. Os outros, «resgatados», a qualquer dia da semana. São para ti. Maria Morais