Era uma vez um coelhinho que se chamava Atão. Tinham-no chamado assim por ele ter sido o primeiro. O primeiro em quê ou a fazer o quê ou porquê, isso, ninguém sabe. Certo dia, no princípio da Primavera, o coelhinho Atão encontrou a coelhinha Porquê, que estava ainda muito viçosa, dir-se-ia que em idade casadoira. Antes que ela seguisse o seu caminho, não se sabe para onde, correndo o risco de não a tornar a ver, o coelhinho Atão encheu-se de coragem e, olhos nos olhos, perguntou à coelhinha Porquê: «Queres casar comigo, coelhinha Porquê?» «Porquê?» – perguntou-lhe de volta a coelhinha Porquê. «Atão…» – respondeu o coelhinho Atão. «Porque eu cheiro bem.» Então, a coelhinha Porquê cheirou o coelhinho Atão, de alto a baixo, até ficar com o focinho no chão. Fez uma pausa, pestanejou e explicou-lhe, muito desembaraçada: «Então, parece-me bem, coelhinho Atão. O teu cheiro, efectivamente, é de macho eficiente; tens o teu complexo hormonal em condições e estou em crer que terem...
Textos avulsos. Uns, ligados (ao correr dos dias, à sucessão das memórias, às demandas quotidianas); outros, desirmanados. Não os vendo, não os troco. Estes, são dados. Porque só levamos o que damos e damos o que temos. Recebe-os, se quiseres. Fico feliz se te disserem ou lembrarem alguma coisa, se te divertirem ou encantarem, se te ajudarem a encontrar algo que te faça sentido. Os «frescos» saem à segunda-feira. Os outros, «resgatados», a qualquer dia da semana. São para ti. Maria Morais